sábado, 15 de agosto de 2015

De Caixa de Fraldas a Porta Livros: Como fazer

Desde que comecei a mexer com coisas artesanais, fui tomando gosto por reutilizar badulaques que iriam para o lixo. Marido não aguenta mais, às vezes diz pra eu tomar cuidado ou vou virar uma daquelas acumuladoras (absurdo). Mas o fato é que existem coisas muito legais que você pode fazer se tiver umas três horinhas livres no seu tempo. De quebra você economiza uma graninha, ajuda o meio ambiente e se diverte pacas quando vê o resultado!
Quando Lucy começou a ganhar seus primeiros livrinhos, eu os colocava espalhados em algumas prateleiras no quarto dela, mas a quantidade foi aumentando, e queria arranjar um cantinho acessível pra que ela mesma pudesse pegar o que quisesse folhear no momento. Existem umas opções muito legais de estantes e prateleiras ao nível da altura da criança, mas o bolso tava vazio, e além de tudo, o quarto não tinha espaço. Quando a situação está assim, nos resta partir para a criatividade, certo? Então, bora lá! Vai Michelle revirar o Todo Poderoso Google e o super amigo Pinterest atrás de idéias. Enfim encontrei o que procurava... Caixas de fraldas repaginadas pra servir de porta trecos! Achei super top e descontraído! Dá um olhada em como esse pessoal colocou a caixola pra funcionar:





O legal é que, se você deixa a mente voar, percebe que uma simples caixa de papelão pode servir pra estocar várias coisas! Brinquedos, ferramentas, material de uso escolar, artesanal ou costura, enfim... É só pensar no que você tá cansado de ver jogado pelos cantos!
Era a minha vez de colocar a mão na massa. Resolvi tentar um modelo bem simples, sem tecido, porque não sabia mexer com costura e queria algo bem rápido de fazer. A minha ficou assim:


Na época não tinha o bloguinho, por isso nem me preocupei em fotografar o passo a passo. Mas vou tentar explicar o processo bem direitinho pra se por acaso alguém quiser tentar essa proeza em casa ok? Então aí vão os ingredientes da (minha) receita:

Uma caixa de fraldas pampers
Duas folhas de cartolina dupla face (mais uma se quiser cobrir a caixa por dentro)
Uma folha de cartolina de cor diferente para cobrir o fundo do texto
Ao menos três modelos diferentes de papel de scrap book
Dois metros de papel contact transparente
Fita adesivada em alto relevo
Fita adesiva dupla face

Antes de tudo, corte fora as abas que fecham a caixa, ela deve ficar completamente aberta em cima.
Depois disso, você vai colar a cartolina em volta de caixa como se estivesse embrulhando um presente. Cole a cartolina usando a fita dupla face. Pensei em usar cola, mas como a caixa é de papelão ela poderia ficar muito mole, por isso resolvi não arriscar. Além disso, se o papel ficar mal posicionado, você pode tirar para recolocar depois, sem danificá-lo. Ah, e não esqueça de passar o estilete nas abinhas laterais, pra você poder carregar a caixinha pra lá e pra cá.


Papel coladinho, é hora de passar o Contact. A caixa de papel fica uma gracinha, mas como é destinado ao uso de uma criança, é bom ter o contact para conservar seu trabalho. Minha caixinha já tem mais de 2 anos, e Lucy ainda não conseguiu destruí-la (ufa)!
Por fim, coloque o que quiser na frente! Inspire- se no conteúdo, faça um textinho, um nome, ou até mesmo apenas um desenho. Essa é a parte que você pode soltar a imaginação! No meu caso, como era um porta livros, decidi escrever " Acervo da Lucy". Assim fica auto explicativo rssss. Minha caligrafia não é lá essas coisas, então eu escrevi o texto no computador e imprimi as letras pra me servir de molde. Passei as letrinhas e os desenhos para os papéis de scrapbook, e pronto! Fácil assim.
Pra colocar a arte na caixa, eu usei a fita de alto relevo. Fiquei com muito medo da Lulu puxar e estragar rapidinho, mas ela está lá, firme e forte até a presente data! Com exceção de algumas pontinhas que vão amassando com o tempo,  mas isso era de se esperar até se estivesse sendo manuseada por um adulto né?


E voilà! O resultado fica assim. Essas fotos são atuais, por isso vocês vão perceber que a caixa está um pouco mais folgadinha e algumas pontinhas amassadas. Mas eu acho que ela ainda vai aguentar alguns anos pela frente:



Quando Lulu viu a caixinha pela primeira vez, ela estava aprendendo a andar, nem sabia muito bem o que era um livro. Mas ficou tão entusiasmada com o colorido dela, que vivia fuçando qualquer coisa que estivesse dentro!
Hoje os livros da Lucy já não cabem mais nessa caixa... A quantidade aumentou, assim como sua imaginação. Por ter tido esse incentivo, hoje ela é uma criança que não passa um dia sem folhear um livro, pega no nosso pé pra ler pra ela, e ainda dá uma de esperta pra contar histórias pra nós! E olhando em retrospecto eu sei que foram três horinhas gastas do meu dia (acho que até menos), que trouxeram um estímulo bem positivo para os hábitos de leitura da minha filhota. Gostoso ouvi-la dizendo hoje, "mamãe, vou pegar um livro na MINHA caixa". Simples, criativo e eficaz. Isso é a cara de criança!

Beijos povo
Michelle Vargas 


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Festinha caseira das borboletas

O tema de borboletinhas sempre me encantou. Nessas horas eu dou graças a Deus por ser mãe de menina! Não que eu não gostaria de produzir festinhas no estilo Rescue Bots por exemplo, ia me divertir pacas, espero fazer algum dia pelo meu sobrinho fanzaço Pietro. Mas como eu sou menina (ó, se achando novinha), minha cabeça funciona com mais facilidade no universo feminino.
Decidi fazer a festinha de 2 anos da Lucy no meu apertamento por dois motivos: o primeiro foi, como no aniversário das corujas, de 1 ano, o orçamento tava hiper mega blaster apertadíssimo. O segundo foi que, eu tava tomando gosto pelas coisinhas manuais, então decidi mais uma vez encarar o desafio e fazer tudo sozinha. Então o início de tudo foi pensar nos convites, e o final ficou satisfatório:
 



Acabei chamando só amigos muito muito próximos, e como Lucy ainda não está na escolinha, suas amiguinhas são poucas. Ficou tudo bem apertadinho, mas uma gracinha.
Bom, vamos ao que interessa. Escolhi o Rosa claro e o Verde musgo / claro, como as cores predominantes da festa. Ficou bem natureza e bem meigo. A festinha ficou com um look relaxante, eu acho. Organizei o quarto da Lucy com os brinquedinhos dela, e os pitiquitos ficaram mais lá brincando. Então a decoração ficou toda na sala. Lá é bem pequeno, mas consegui tirar os sofás pra espalhar umas mesinhas. A visão geral ficou assim:



Vamos aos detalhes. Atras da mesa principal colocamos vááárias borboletas passando por uma janela. As borboletas foram feitas de cartolina e EVA brilhante, e a janela, pegamos um papel panamá, cortamos os quadrados e cobrimos com papel celofane furta cor (ou nacarado). O nosso desafio era essa parede marrom atrás, mas o colorido das borboletas desfez o efeito escuro do fundo.




A mesa do bolo ficou simples, mas bonitinha. Fiz o nome em caixa alta, e minha amiga Nathália me emprestou alguns itenzinhos provençais. Fiz uma embalagem de papel para os pirulitos e as trufinhas (feitas por nós mesmos, da Hommade) foram embaladas com celofane e ganharam um L e um 2. Além de alguns tags e toppers espalhados aqui e alí. O bolo tava uma delícia, e o laço também foi por minha conta. 





Os centros de mesa também foram na base do DIY. Foram usadas latas de Nam, cobertas com tecido, como base, e em cima uma bolota de flores de papel de scrap com perolazinhas e uma borboletona. Foi sucesso total! Ficaram lindos topiários. Os detalhezinhos nos guardanapos também ficaram fofos. 



Fizemos também um cantinho para as bebidas e as lembrancinhas. Usamos a própria cômoda da Lucy, que cabia como uma luva pra decoração, e enchemos de chocolate da Hommade. As trouxinhas cobertas com tecido são palhas italianas, e os potinhos de vidro estão cheios com um delicioso brigadeiro! Dentro das caixinhas de MDF foram marshmallows. A foto não pegou direito, mas do outro lado tinham suqueiras rosas. E como festa de criança não pode faltar, muuuitas balas de coco nos rococós. Na parede em cima, três rosetas lindinhas com borboletas.







Além das lembrancinhas comíveis, gada criança ganhou um quadrinho de desenhar feito com o que restou do papel Panamá. O crédito aqui vai todo pra minha amiga Aline, que me deu uma força e tanto na reta final das preparações. É aquele tipo de pessoa que você diz sua idéia, e ela consegue transformar pra realidade algo melhor do que o que você imaginou. Olha que fofura: 


Bom, enfim! Festa simples, caseira e gostooosa! Os convidados gostaram, Lucy se divertiu e mamãe cansadérrima, dormiu satisfeita naquele dia. Trabalho cumprido!
Espero que as mamães das menininhas por aí possam ter se sentido inspiradas! O tema das borboletas é super delicado e não sai de moda nunca! A minha borboletinha curtiu muito!!


A gente se vê pessoal! beijos!

Michelle Vargas 


terça-feira, 11 de agosto de 2015

Ô coisa gostosa!

Quando era mais nova, delícia era fazer uma noite do pijama com as amiguinhas, com direito a guerra de travesseiro, testes de revistas Capricho, e quitutes roubados da geladeira de madrugada. 
Um pouco mais tarde, delícia era sair pra dançar a noite inteira, sem pensar nas responsabilidades do amanhã. 
Delícia foi jogar o chapéu na colação da faculdade, receber o primeiro contra cheque, dizer um SIM no cartório pro amor da minha vida, e pisar na primeira casinha que podia chamar de minha, lá do outro lado do Brasil!
Hoje o significado de delícia se aprofundou, se esticou, se expandiu... certo dia, pedi ao meu melhor amigo, técnico de laboratório, pra que fizesse um exame de sangue em mim. Tava me sentindo um pouco esquisita, um estranhismo bom, mas inquietante. Ele fez... e me ligou a noite. A voz dele no telefone aquela noite foi o Top 1 de todas as outras delícias que viriam a partir daí:
 - Mi, eu vou ser o padrinho!
 - Padrinho de quem menino? 
 - Você tá grávida amiga! E eu vou ser o padrinho!
Depois de um milhão de "Robert, se você estiver tirando uma com a minha cara, eu te mato", me convenci, e passado o susto me deleitei com a ideia de ter uma pessoinha só pra mim.
Então vieram umas coisas gostosas estranhas, como a sensação de ter alguém se mexendo dentro de mim. Primeiro tímida, e lá pra perto da hora dela sair, era como se tivesse uma montanha russa, pra lá e pra cá, com direito a luppings e calombos na barriga!
Agora delícia, delícia mesmo, foi ver seu rostinho a primeira vez. Pegá-la em meus braços pela primeira vez! Acabou meu mundo como eu lembrava dele. Tudo novo, tudo fresco, tudo intenso!
Delícia amamentar... quando começava a ficar mais gostoso ainda, acabou. Ela estava começando a tomar gosto pelas suas próprias delícias. Não queria mais saber de peito de mãe... mas tudo bem, porque também era uma gostosura ver o bocão de Lucy para novos cardápios. Olha só:


Delícia foram os primeiros passos, primeiras palavras, primeira piada, primeiro comentário inconveniente, primeira amizade, primeira brincadeira de esconde esconde (1, 2, 3, ná vou ieu!) primeira vez usando um computador, primeiros tudos. Delícia novos aprendizados, nós ensinando pra ela e ela ensinando pra nós. Primeira contagem em português e em inglês. Primeiros dogs, puppies, cats, please, I love you! Delícia ver a filha aprendendo a ser gentil, dizendo, não obrigada, com licença, por favor, saúde, de nada.
Delícia ver o crescimento, com saudade já, percebendo que a bebê Lucy está acabando (só no tamanho, no coração de mãe nunca). Vendo as pequenas mudanças a transformando, como a transição de berço pra cama. Um susto gostoso acordar um dia, olhar no quarto e não vê-la. Onde está Lucy? Sentada na mesa da cozinha roubando biscoitos! É mesmo, agora ela pode, não tem mais grades de berço pra segurar. Melhor lembrar de guardar os quitutes daqui pra frente.
Delícia hoje, ser acordada com aquela voz gostosa, "Mamãe já acordou?". Delícia todas as palavrinhas erradas, que dá vontade de não corrigir nunnnca. Mas o mundo se encarrega disso pra gente. Delícia pra alto estima se arrumar um pouquinho só e escutar uma vozinha cheia de admiração: "Como você tá linda mamãe", como direito a boquinha em formato  de O.
E que delícia é ter alguém pra você passar pra frente toda a sua bagagem cultural, sendo ela inútil ou não... formar alguém parecida com você, mas uma versão (queira Deus) melhorada, tipo um turbo 3.0! Gostoso ler gibi da Mônica dando risada, ou orar pro Papai do céu agarradinha na hora de dormir.
Delícia pintar unha e ter a unha (pra não dizer a mão inteira) pintada, brincar de salão de beleza, e ver que a criaturinha já consegue andar no salto da mãe!
Agora mais gostoso que sorvete é a confiança depositada em você... uma confiança cega, do tipo: não tenho medo de pular do 20º andar, mamãe e papai tão lá embaixo pra segurar. Por causa dessa confiança toda, alguns acidentes já aconteceram... papai e mamãe não são tão super heróis assim. Mas ela não precisa saber disso por enquanto! Por enquanto a capa de mulher maravilha me cai muito bem, e o pai fica um gato de super homem! Que essa delícia dure mais tempo no coraçãozinho dela. E que mesmo quando ela descobrir que papai e mamãe são mortais, sua confiança continue, pra que possamos juntas, como iguais, descobrir mais delícias que a vida tem pra nos oferecer. Nós duas como uma só, como já fomos um dia, no dia que o tio Robert ligou. Ela em mim e eu nela. Essa delícia sempre há de ser!


Michelle Vargas

domingo, 9 de agosto de 2015

A leveza de ser Mãe


Vai uma de Lucy: certo dia desses estava eu correndo de manhã feito uma barata tonta, tentando fazer tudo ao mesmo tempo. Limpar chão, lavar roupa, estender no varal, dar banho em criança, e enquanto isso passando pano nos móveis, arrumando camas e Deus sabe mais o que. Minha última tarefa da manhã, antes de sair pra rua era lavar a bendita louça... que normalmente é tarefa do marido, mas nesse dia especificamente, tava caindo prato da pia de tão cheia que ela tava. Como toda mãe ótima, coloquei Lucy de frente a um desenho (juro que fujo disso com todas as minhas forças), pra me dar 10 minutinhos e acabar com meu expediente doméstico. Mas também como toda criança que se preza, Lucy tem um décimo sentido, e capta de longe quando a mãe está apoquentada... e esse sentido só existe pra que elas saibam quando nos aperrear mais ainda! Acho que elas sentem um prazer maligno em ver uma fumacinha saindo da nossa cabeça. Mãos cheias de sabão, eu sinto um puxão na calça: 
 - Mamããããããããeeeee, vem brincar comigo!!! 
 - Só um minutinho filha, já vou acabar e vou lá com você! Enquanto isso vai ver a Dora vai.
 - Por favoooooorrrr, vc finge que é o cavalinho e eu sou sua amiga! 
A mãe, já com a bunda aparecendo, de tanto que a louquinha ta puxando, diz:
 - Lucy, a mamãe disse que já vai. Pega as suas bonecas e leva pra sala pra brincar.
Nessa hora, a mãe vê a cara da menina: cheia de batom pra todo lado! A mãe respira fundo e percebe que se entrar nesse mérito agora, aí que tudo desanda mesmo. Segue-se um bico do tamanho do mundo. O bico da Lucy não é coisa boa... ele mostra que as coisas estão pretas na cabecinha dela. Largo os pratos, sento do lado dela e tento explicar que mamãe está ocupada, mas que jajá o meu tempo será só dela. Nessa hora, ela deita no chão da cozinha, com o bicão ainda a postos e diz: 
 - Eu não gosto mais de você mamãe. E não gosto do papai também, nem do Pietro, nem da tia Bia, nem da vovó (logo a coitada que rola no chão com essa pestinha, até ela entrou na história), nem do vovô! Nem das minhas amigas, (Pausa pra pensar) Só do tio Junior! (em outro post explico a relação "fã / ídolo" entre Lucy e tio Junior)
Essa me pegou desprevenida. Desde que minha bebê aprendeu a falar, já ouvi um milhão de "Eu Te Amos", mas esse foi o primeiro "Não Gosto Mais de Você". Não sabia se ria, se chorava, se largava ela no chão pra voltar pra louça ou se catava ela no colo pra encher de beijos e brincar com ela. Só sei que fiquei com cara de tacho na hora! Como assim?? Ingratidão, já nesse estágio da vida?? E as milhões de horas passadas sentada no quarto com ela fazendo vozes de bonequinhas ou latindo feito um cachorrinho, ou contando trocentas historinhas de todos os seus livrinhos um depois do outro?? Acho que ela percebeu a confusão na minha cara, porque ela tomou as rédeas da situação, quase literalmente. Levantou e continuou me puxando! E já que essa lavagem de louça não ia sair mesmo, larguei pra fazer outras tarefas ENQUANTO fingia que era um cavalinho. 
Esses dias são mais rotineiros do que eu gostaria que fossem! Um dia vi uma pessoa falando assim: "A vida só é dura pra quem é mole." Obviamente essa pessoa não tinha um bichinho de zoológico em casa fazendo de tudo pra tirar o seu juízo. Obviamente essa pessoa não passava dias a fio sem lavar o cabelo, ou depilar as pernas, ou esticar o corpo dolorido no sofá pra ver tv! E aqueles que não têm filhos, nem se atrevam a sentir pena, porque como mãe não segue lógica nenhuma, se um dia ficamos sem essa correria, a gente acha que tem algo errado. Amamos nosso serzinho com bico ou sem bico, com gritaria ou sem ela, porque não precisamos mais de coerência pra viver.
Agora falando sério... mesmo que amemos tudo que fazemos pelos nossos filhotes, uma hora o fardo fica um pouco pesado. E não adianta muito uma noite fora cazamigas (né meninas), ou um tempo bom namorando com o marido, ou uma distração qualquer pra fugir um pouco do batente. Não que essas sejam coisas dispensáveis, acho não sobreviveríamos sem essas pequenas atitudes. Mas acho que as vezes nos falta encontrar uma leveza, que ficou esquecida lá dentro. 
Ao nos tornarmos mães, a maioria de nós assume uma carga tão grande de responsabilidades, que é fácil esquecer o prazer das pequenas coisas no dia a dia. Deixamos pra trás, lááá pela adolescência, o sentido de acordar e ter a expectativa do que vai acontecer de novidade naquela manhã. É uma leveza, que está dentro de todas nós, mas muitas vezes escondida. Será então que, começar a encarar cada tarefa com mais clareza e criatividade não ajudaria um pouco o nosso processo? Como colocar NOSSA música preferida pra tocar no carro, e ensinar o filho a cantar em vez de ficar no disco furado da Xuxa toda santa vez? Como entrar no banho com a cria em uma tarde quente, em vez de ficar gritando pra ela: ENTRA LOGO SENÃO O QUE É SEU TÁ GUARDADO! Ou simplesmente esquecer casa e rotina por um dia e sair pra passear, só você e seu filhote, como um encontro, pra um sorvete, pra um shopping, ou uma livraria. Eu sei que é difícil, e humanamente impossível seguir isso à risca, mas precisamos de um desafio de vez em quando né? E no final das contas, até a forma de lidar com o estresse de cada dia é uma escolha nossa. 
E vamu-lá, Amanhã vai ter mais suco derramado na toalha de mesa recém lavada, mais "mamãe não quero dormir", mais pó por todo lado da casa e mais trabalho acumulado, porque como se não bastasse, dinheiro não cai do céu (pô Deus)! Mas quando a barra apertar, contemos em silêncio até 197, e repitamos como um mantra pra nós mesmas: eu sou um ser leve, eu sou um ser leve (não na balança, mas pelo menos no espírito). A gente chega lá!

Beijocas

Michelle Vargas

sábado, 8 de agosto de 2015

Cada um é um!

Não sou psicóloga, mas sempre gostei muito de conversar e entender a personalidade das pessoas que me cercam... tentar entender a raiz de algumas atitudes, ou posturas. Falo do fundo do meu coração que tenho aversão ao julgamento alheio, quando falam com um suposto conhecimento profundo do que aquela pessoa deveria ou não fazer, deveria ou não ser, sem tomar parte dela. Sem a conhecer a fundo. E mesmo que esse seja o caso... quem nos dá o direito de ser juiz de alguém nessa vida? Cada um é um. Cada pessoa, individualmente, sofre com seus próprios problemas, frustrações e enganos.
Para um post materno, esse assunto soa meio pesado né?? A verdade é que estou apenas divagando para chegar a uma discussão: a personalidade infantil. Desde quando podemos tratar uma criança como um ser pensante, atuante, racional? Qual é a idade certa para que ela possa  ter o direito de ter suas próprias opiniões, e pensamentos considerados por nós, a "gente grande"? 
Desde que engravidei, leio fórmulas prontas sobre como atuar com nossas crias.  Como fazer com que seu filho seja uma pessoa simpática com os outros. Como fazer para que seu bebê durma a noite inteira! Como arrumar o pratinho dele para que ele não deixe de comer um só grão de arroz. Lia e pensava, que fácil! Vou tirar de letra! Qual nada, história pra boi dormir! Hoje, mais calejada, percebo o quanto existe gente por aí que pensa que criança é tudo igual. Que o que funciona pra um, com certeeeza vai funcionar pro filho do vizinho! E se não funciona, a mãe ainda é a culpada (pobre de nóis). Ou a coitada não tem pulso firme, ou é dura demais com o filho. Ela não tem rotina nenhuma, ou então é tão controlada que a criança vai ficar louca. Essa mãe mima demais, ou é tão desapegada que um dia vão ver a Samu chegando porque encontraram a criança estatelada no chão, depois de ter subido na beliche!! Culpa da mãe, tava trocando a fralda do outro e esqueceu dessa! Nossa, fui longe agora, do que eu tava falando mesmo?? 
Ah sim, cada um é um! Eu tive o privilégio de ter um sobrinho crescendo junto com a minha filha. Acho que todo mundo por aqui já conhece o Pietro, figurinha tarimbada, outro amor do meu coração! Ele e Lucy têm dez dias de diferença e têm crescido lado a lado, porque eles dividem uma casa de vovó, na qual estão juntos quase sempre. Enfim, são praticamente como irmãos... Quando saem na rua é um tal de perguntarem se são gêmeos, e olha, vou te dizer,,,, não poderiam ser mais diferentes. Não tô falando isso fisicamente, e sim na personalidade. TUDO é o oposto um do outro. Quando um é Não, o outro é Sim. Um adoooora aquele prato de pedreiro no almoço, mas também não quer saber de comer mais nada no intervalo... a outra, despreza a comida do almoço de fazer a gente chorar, mas adora todas as outras coisas que damos durante o dia. Uma é concentrada no que está fazendo ao máximo, e o outro tem uma inteligência horizontal, quer e consegue fazer tudo ao mesmo tempo. Uma é calma, o outro é a atividade em pessoa, haja ginástica. Mas porquê isso, se os dois foram criados juntos, praticamente da mesma maneira?? O que um ganha, o outro ganha também (aqui eu me refiro aos avós), o que um tem no prato do almoço o outro tem também. O esculacho que um leva o outro leva também. A única resposta é: são diferentes! Não tem o que entender.
Acho que já escrevi um post por aqui, em que falava que sempre notei um quê de gente grande na minha filha... essa característica aparece as vezes, quando eu menos espero. Em suas respostas, nas suas atitudes. Um dia desses, o primo ganhou um carrão, desses de pedal de caminhão, que entra nele (rssss olha a descrição "que entra nele"), e a Lucy tava do lado. Mas não tinha carro de menina na loja, e a vovó falou, Lucy, o próximo a gente vai comprar pra você. Vixe, eu esperei um berreiro. Ela pegou minha mão, andou um pouco na loja e me falou: mamãe, vamos esperar no carro? Gente, isso veio de uma bebê de 2 anos e meio... pra você pode parecer normal, mas pra mim, e pode soar corujice de mãe, eu não ligo, é uma aberração! Lucy mostra claros sinais de não ser consumista! Talvez ela já perceba que mamãe é quebrada, dura, não sei, pode ser um sinal de piedade divina sobre mim, mas graças a Deus, eu posso contar em poucos dedos as vezes que ela saiu chorando de uma loja de brinquedos. Já meu sobrinho é super antenado em todas as novidades, e já decorou todas as propagandas das coisas que ele gostaria de ter. Quando entra em uma loja, vai certeiro na prateleira do que ele quer! Esperto, o menino. 

Enfim, o fato é que, a personalidade se mostra antes mesmo da linguagem se mostrar. Um bebê de meses já demonstra preferências que devem ser percebidas e respeitadas. Vejam bem, não estou dizendo que devemos agir como se nossos filhos fossem donos de seus narizes, sabemos o que é melhor pra eles e sempre, sempre agiremos neste sentido, mas precisamos adquirir a consciência de que não somos mães de sacos de batatas! E o quanto antes eles sentirem que damos importância ao seu jeito de ser, mais eles estarão abertos a se mostrar, e mais eles se sentirão livres para explorar seja lá o que for que eles têm de melhor. E o mais importante: ao começarmos a nos atentar ao seu tipo de temperamento e personalidade, poderemos começar a interagir com nosso filhote de forma individualizada, e não mais com fórmulas generalizadas. 
O escritor e pediatra Harvey Karp, autor do livro The happiest Toddler on the block (a criança mais feliz do quarteirão), diz que se bebês são anjos, crianças a partir de seus dois anos são como homens das cavernas. E que conhecer o temperamento de sua criança vai te ajudar a saber quando acarinhá-la e quando empurrá-la. Karp ainda diz: "Preste atenção e perceba a nuance de seu filho. Crianças são como flores, cada uma é diferente, mas especial. Então tanto faz se seu filho for uma papoula brincalhona ou uma violeta tímida. Ame e celebre seu filho por sua singularidade." 

Então chega de dar ouvidos aos palpiteiros de plantão (a menos que valha a pena), e comecemos a abrir nossos ouvidos para o que nossos filhos estão querendo nos passar. Podemos ter a abertura de ajudar a moldar suas pequenas personalidades. A unicidade e a coerência deles sempre nos surpreende e nos ensina. E é um enorme privilégio ver isso se desenvolver bem diante de nossos olhos! 

E você mamãe? O que tem a dizer sobre o jeitinho de seu filhote?? 

Beijão pessoal! Até a próxima!

Michelle Vargas

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Instinto

Uma rápida busca no Google nos mostra duas definições para o título desta postagem: 

instinto
substantivo masculino
  1. 1.
    impulso interior que faz um animal executar inconscientemente atos adequados às necessidades de sobrevivência própria, da sua espécie ou da sua prole.
    "i. reprodutor"
  2. 2.
    impulso natural, independente da razão, que faz o indivíduo agir com uma finalidade específica.
    "i. materno"

O falatório sobre Instinto Materno nos acompanha desde antes mesmo de tomarmos a consciência devida sobre classe familiar, sociedade ou regras morais. Talvez seja porque a proteção da mãe sempre foi nos passada como uma coisa natural... algo que não poderia não existir. Ela é a primeira voz que ouvimos, o primeiro coração que sentimos pulsar, o primeiro alimento que toca a nossa boca, e o primeiro braço a nos acalentar. Ela é a primeira pessoa a nos defender de outras crianças que queriam tomar nossos brinquedos no parquinho, e a primeira pessoa a nos fazer distinguir o certo do errado. 
Todas essas coisas, no meu pensar, são parte deste instinto. São atos genuinamente não egoístas, centrados em um segundo serzinho, e não em nós próprias. Logo a partir da concepção, começamos a nos surpreender com a força do "querer" da maternidade. Nós deixamos de ter opinião própria. Não existe mais o EU por si só. Tudo é praquela pessoinha, que nem está ali ainda, que nem tem um rosto! A verdade é que você pode ter planejado um filho por 10 anos, mas somente o dia a dia lhe mostrará que a maternidade tem 80% a ver com instinto e 20% a ver com planejamento. Se torna um processo natural, independente da razão (adorei isso) como nossa querida definição nos diz lá em cima. 
Um fato ocorrido no mês passado me deixou totalmente inquieta e com o coração queimando! Provavelmente o mundo inteiro veiculou a notícia da Mãe Chinesa que morreu em uma escada rolante de um shopping. A imagem está disponível na internet, e é bem chocante. A mãe estava subindo com seu filhinho de 2 anos, quando o alçapão do fim da escada abre e a suga para baixo. Tudo aconteceu muito rápido, mas o que chama a atenção é que, em meio a dor que aquela mulher devia estar experimentando, tendo o corpo esmagado pela engrenagem, e o choque, a única coisa que ela faz antes de desaparecer no buraco é erguer o filho para entregar a duas vendedoras que estavam no topo da escada.
NADA definiria melhor o instinto. Até em uma situação extrema como essa, a mãe se coloca em segundo em sua escala de prioridades, Entre a sua vida e a do seu filho, ele ganha. Não é racional! É reservar o último pão do armário para seu filho, e acalmá-lo dizendo: mamãe não está com fome hoje. É estar detonada no fim do dia e não resistir a um: vamos brincar de boneca comigo mamãe? É estar no banco de trás do carro com o filho e em uma freada brusca, passar a mão por ele, mesmo sabendo que você está desprotegida enquanto ele está mais seguro em sua cadeirinha. É morrer para que ele possa viver. Aaah, então por isso o tão comentado dizer: o amor de mãe é o que mais chega perto do amor de Deus!
Fazendo este texto eu parei pra pensar, não no meu amor para com a minha filha... mas no amor da minha mãe para comigo. Aos meus olhos, sempre forte, uma leoa que esmagaria qualquer um que chegasse perto de mim! E ainda assim doce, colocando nossas necessidades sempre em primeiro lugar. Ainda hoje, os três filhos crescidos, só conseguimos vê-la tranquila quando ela sabe que os três estão bem. Só se cuida, quando os outros estão cuidados. Com os netos então, é um capitulo a parte. Tudo isso multiplicado por mil! Então eu paro pra pensar... e as vontades dela? E o querer dela? Onde fica? Quem proporciona? Talvez o desapego por si mesma seja tão grande, que ao perguntarmos ela diga: o que me faz feliz e realizada são vocês e meus netos! Sei que essa seria sua resposta, certeza! E eu vou seguindo pelo mesmo caminho, orgulhosa de ser parte como ela, como minha heroína! 
Esse texto de hoje é um desabafo e uma homenagem, a minha mãe, a essa mãe chinesa, e a todas as mães de verdade anônimas que andam por aí, salvando e mudando a vida de seus filhos todos os dias. amando um amor desconhecido, arrebatador. Independente da razão!



Michelle Vargas

sábado, 24 de maio de 2014

Papel contact em móveis?? Por que não?

Sumi! E não foi por falta de assunto não, porque um zilhão de coisas me aconteceram desde a última postagem pra cá. São tantos assuntos, by the way, que quando eu pensava em sentar pra escrever, meus miolos chega entravam em parafuso, tadinhos.
Por hoje vou começar dizendo: hoje eu entendo as mamães que não trabalham batendo ponto numa empresa, e mesmo assim não têm tempo nem pra respirar. Meu Deus! Desde que me aventurei a sair do trabalho, trabalho triplicado! E a danada da disciplina e organização que nunca quis por perto e hoje sou obrigada a aprender a mantê-la? Mas não é sobre isso meu post de hoje, porque isso dá pano pra manga.
O que me fez parar um pouco hoje é que peguei uma virose, e tive que ficar de molho o dia inteiro. O ponto bom é que peguei coragem pra escrever um pouco... Mas como disse, só um pouco, porque parece que até meus dedos querem se deitar (chatice).
Quis dar uma passadinha aqui hoje só pra mostrar uma fofice que queria fazer tinha tempo, e esse mês ela saiu, em prol da minha salinha de inglês. Peguei um armarinho de cozinha mais velho e cansado que eu e fiz uma transformação nele, que tenho que dizer: Tok Stok que se cuide filha!
Dá uma olhada no acabadinho:



Daí a minha repaginada foi pensando nas cores primordiais da sala de aula, que são vermelho e azul, e o material utilizado? Que tinta que nada, vamo de papel contact, que é barato, dá pra escrever em cima e têm inúmeras opções! Sempre quis experimentar, então foi a bola da vez. Encapar o armário, é  igual encapar livro, só cansa um pouquinho mais o braço:
Dá-lhe régua e guerra pra não ficar nenhuma bolhinha. Ao contrário do que falam por aí eu não tive que lixar nada antes de aplicar o contact não, e olha que a tinta já estava bem desgastada... 
A coisa mais chata é que a gente teve que tirar todas as portas, pra não ficar nenhuma falha. (Não repara a bagunça dentro tá?)

E, por fim, voi lá! Eis o resultado final:

Gostei tanto que virei adepta do contact. Até minha lousa da sala vai ter a bichinha! Valeu gente. Vou deitar mais um pouquinho e qualquer hora volto!
Beijo beijo

Michelle Vargas