terça-feira, 11 de agosto de 2015

Ô coisa gostosa!

Quando era mais nova, delícia era fazer uma noite do pijama com as amiguinhas, com direito a guerra de travesseiro, testes de revistas Capricho, e quitutes roubados da geladeira de madrugada. 
Um pouco mais tarde, delícia era sair pra dançar a noite inteira, sem pensar nas responsabilidades do amanhã. 
Delícia foi jogar o chapéu na colação da faculdade, receber o primeiro contra cheque, dizer um SIM no cartório pro amor da minha vida, e pisar na primeira casinha que podia chamar de minha, lá do outro lado do Brasil!
Hoje o significado de delícia se aprofundou, se esticou, se expandiu... certo dia, pedi ao meu melhor amigo, técnico de laboratório, pra que fizesse um exame de sangue em mim. Tava me sentindo um pouco esquisita, um estranhismo bom, mas inquietante. Ele fez... e me ligou a noite. A voz dele no telefone aquela noite foi o Top 1 de todas as outras delícias que viriam a partir daí:
 - Mi, eu vou ser o padrinho!
 - Padrinho de quem menino? 
 - Você tá grávida amiga! E eu vou ser o padrinho!
Depois de um milhão de "Robert, se você estiver tirando uma com a minha cara, eu te mato", me convenci, e passado o susto me deleitei com a ideia de ter uma pessoinha só pra mim.
Então vieram umas coisas gostosas estranhas, como a sensação de ter alguém se mexendo dentro de mim. Primeiro tímida, e lá pra perto da hora dela sair, era como se tivesse uma montanha russa, pra lá e pra cá, com direito a luppings e calombos na barriga!
Agora delícia, delícia mesmo, foi ver seu rostinho a primeira vez. Pegá-la em meus braços pela primeira vez! Acabou meu mundo como eu lembrava dele. Tudo novo, tudo fresco, tudo intenso!
Delícia amamentar... quando começava a ficar mais gostoso ainda, acabou. Ela estava começando a tomar gosto pelas suas próprias delícias. Não queria mais saber de peito de mãe... mas tudo bem, porque também era uma gostosura ver o bocão de Lucy para novos cardápios. Olha só:


Delícia foram os primeiros passos, primeiras palavras, primeira piada, primeiro comentário inconveniente, primeira amizade, primeira brincadeira de esconde esconde (1, 2, 3, ná vou ieu!) primeira vez usando um computador, primeiros tudos. Delícia novos aprendizados, nós ensinando pra ela e ela ensinando pra nós. Primeira contagem em português e em inglês. Primeiros dogs, puppies, cats, please, I love you! Delícia ver a filha aprendendo a ser gentil, dizendo, não obrigada, com licença, por favor, saúde, de nada.
Delícia ver o crescimento, com saudade já, percebendo que a bebê Lucy está acabando (só no tamanho, no coração de mãe nunca). Vendo as pequenas mudanças a transformando, como a transição de berço pra cama. Um susto gostoso acordar um dia, olhar no quarto e não vê-la. Onde está Lucy? Sentada na mesa da cozinha roubando biscoitos! É mesmo, agora ela pode, não tem mais grades de berço pra segurar. Melhor lembrar de guardar os quitutes daqui pra frente.
Delícia hoje, ser acordada com aquela voz gostosa, "Mamãe já acordou?". Delícia todas as palavrinhas erradas, que dá vontade de não corrigir nunnnca. Mas o mundo se encarrega disso pra gente. Delícia pra alto estima se arrumar um pouquinho só e escutar uma vozinha cheia de admiração: "Como você tá linda mamãe", como direito a boquinha em formato  de O.
E que delícia é ter alguém pra você passar pra frente toda a sua bagagem cultural, sendo ela inútil ou não... formar alguém parecida com você, mas uma versão (queira Deus) melhorada, tipo um turbo 3.0! Gostoso ler gibi da Mônica dando risada, ou orar pro Papai do céu agarradinha na hora de dormir.
Delícia pintar unha e ter a unha (pra não dizer a mão inteira) pintada, brincar de salão de beleza, e ver que a criaturinha já consegue andar no salto da mãe!
Agora mais gostoso que sorvete é a confiança depositada em você... uma confiança cega, do tipo: não tenho medo de pular do 20º andar, mamãe e papai tão lá embaixo pra segurar. Por causa dessa confiança toda, alguns acidentes já aconteceram... papai e mamãe não são tão super heróis assim. Mas ela não precisa saber disso por enquanto! Por enquanto a capa de mulher maravilha me cai muito bem, e o pai fica um gato de super homem! Que essa delícia dure mais tempo no coraçãozinho dela. E que mesmo quando ela descobrir que papai e mamãe são mortais, sua confiança continue, pra que possamos juntas, como iguais, descobrir mais delícias que a vida tem pra nos oferecer. Nós duas como uma só, como já fomos um dia, no dia que o tio Robert ligou. Ela em mim e eu nela. Essa delícia sempre há de ser!


Michelle Vargas

domingo, 9 de agosto de 2015

A leveza de ser Mãe


Vai uma de Lucy: certo dia desses estava eu correndo de manhã feito uma barata tonta, tentando fazer tudo ao mesmo tempo. Limpar chão, lavar roupa, estender no varal, dar banho em criança, e enquanto isso passando pano nos móveis, arrumando camas e Deus sabe mais o que. Minha última tarefa da manhã, antes de sair pra rua era lavar a bendita louça... que normalmente é tarefa do marido, mas nesse dia especificamente, tava caindo prato da pia de tão cheia que ela tava. Como toda mãe ótima, coloquei Lucy de frente a um desenho (juro que fujo disso com todas as minhas forças), pra me dar 10 minutinhos e acabar com meu expediente doméstico. Mas também como toda criança que se preza, Lucy tem um décimo sentido, e capta de longe quando a mãe está apoquentada... e esse sentido só existe pra que elas saibam quando nos aperrear mais ainda! Acho que elas sentem um prazer maligno em ver uma fumacinha saindo da nossa cabeça. Mãos cheias de sabão, eu sinto um puxão na calça: 
 - Mamããããããããeeeee, vem brincar comigo!!! 
 - Só um minutinho filha, já vou acabar e vou lá com você! Enquanto isso vai ver a Dora vai.
 - Por favoooooorrrr, vc finge que é o cavalinho e eu sou sua amiga! 
A mãe, já com a bunda aparecendo, de tanto que a louquinha ta puxando, diz:
 - Lucy, a mamãe disse que já vai. Pega as suas bonecas e leva pra sala pra brincar.
Nessa hora, a mãe vê a cara da menina: cheia de batom pra todo lado! A mãe respira fundo e percebe que se entrar nesse mérito agora, aí que tudo desanda mesmo. Segue-se um bico do tamanho do mundo. O bico da Lucy não é coisa boa... ele mostra que as coisas estão pretas na cabecinha dela. Largo os pratos, sento do lado dela e tento explicar que mamãe está ocupada, mas que jajá o meu tempo será só dela. Nessa hora, ela deita no chão da cozinha, com o bicão ainda a postos e diz: 
 - Eu não gosto mais de você mamãe. E não gosto do papai também, nem do Pietro, nem da tia Bia, nem da vovó (logo a coitada que rola no chão com essa pestinha, até ela entrou na história), nem do vovô! Nem das minhas amigas, (Pausa pra pensar) Só do tio Junior! (em outro post explico a relação "fã / ídolo" entre Lucy e tio Junior)
Essa me pegou desprevenida. Desde que minha bebê aprendeu a falar, já ouvi um milhão de "Eu Te Amos", mas esse foi o primeiro "Não Gosto Mais de Você". Não sabia se ria, se chorava, se largava ela no chão pra voltar pra louça ou se catava ela no colo pra encher de beijos e brincar com ela. Só sei que fiquei com cara de tacho na hora! Como assim?? Ingratidão, já nesse estágio da vida?? E as milhões de horas passadas sentada no quarto com ela fazendo vozes de bonequinhas ou latindo feito um cachorrinho, ou contando trocentas historinhas de todos os seus livrinhos um depois do outro?? Acho que ela percebeu a confusão na minha cara, porque ela tomou as rédeas da situação, quase literalmente. Levantou e continuou me puxando! E já que essa lavagem de louça não ia sair mesmo, larguei pra fazer outras tarefas ENQUANTO fingia que era um cavalinho. 
Esses dias são mais rotineiros do que eu gostaria que fossem! Um dia vi uma pessoa falando assim: "A vida só é dura pra quem é mole." Obviamente essa pessoa não tinha um bichinho de zoológico em casa fazendo de tudo pra tirar o seu juízo. Obviamente essa pessoa não passava dias a fio sem lavar o cabelo, ou depilar as pernas, ou esticar o corpo dolorido no sofá pra ver tv! E aqueles que não têm filhos, nem se atrevam a sentir pena, porque como mãe não segue lógica nenhuma, se um dia ficamos sem essa correria, a gente acha que tem algo errado. Amamos nosso serzinho com bico ou sem bico, com gritaria ou sem ela, porque não precisamos mais de coerência pra viver.
Agora falando sério... mesmo que amemos tudo que fazemos pelos nossos filhotes, uma hora o fardo fica um pouco pesado. E não adianta muito uma noite fora cazamigas (né meninas), ou um tempo bom namorando com o marido, ou uma distração qualquer pra fugir um pouco do batente. Não que essas sejam coisas dispensáveis, acho não sobreviveríamos sem essas pequenas atitudes. Mas acho que as vezes nos falta encontrar uma leveza, que ficou esquecida lá dentro. 
Ao nos tornarmos mães, a maioria de nós assume uma carga tão grande de responsabilidades, que é fácil esquecer o prazer das pequenas coisas no dia a dia. Deixamos pra trás, lááá pela adolescência, o sentido de acordar e ter a expectativa do que vai acontecer de novidade naquela manhã. É uma leveza, que está dentro de todas nós, mas muitas vezes escondida. Será então que, começar a encarar cada tarefa com mais clareza e criatividade não ajudaria um pouco o nosso processo? Como colocar NOSSA música preferida pra tocar no carro, e ensinar o filho a cantar em vez de ficar no disco furado da Xuxa toda santa vez? Como entrar no banho com a cria em uma tarde quente, em vez de ficar gritando pra ela: ENTRA LOGO SENÃO O QUE É SEU TÁ GUARDADO! Ou simplesmente esquecer casa e rotina por um dia e sair pra passear, só você e seu filhote, como um encontro, pra um sorvete, pra um shopping, ou uma livraria. Eu sei que é difícil, e humanamente impossível seguir isso à risca, mas precisamos de um desafio de vez em quando né? E no final das contas, até a forma de lidar com o estresse de cada dia é uma escolha nossa. 
E vamu-lá, Amanhã vai ter mais suco derramado na toalha de mesa recém lavada, mais "mamãe não quero dormir", mais pó por todo lado da casa e mais trabalho acumulado, porque como se não bastasse, dinheiro não cai do céu (pô Deus)! Mas quando a barra apertar, contemos em silêncio até 197, e repitamos como um mantra pra nós mesmas: eu sou um ser leve, eu sou um ser leve (não na balança, mas pelo menos no espírito). A gente chega lá!

Beijocas

Michelle Vargas

sábado, 8 de agosto de 2015

Cada um é um!

Não sou psicóloga, mas sempre gostei muito de conversar e entender a personalidade das pessoas que me cercam... tentar entender a raiz de algumas atitudes, ou posturas. Falo do fundo do meu coração que tenho aversão ao julgamento alheio, quando falam com um suposto conhecimento profundo do que aquela pessoa deveria ou não fazer, deveria ou não ser, sem tomar parte dela. Sem a conhecer a fundo. E mesmo que esse seja o caso... quem nos dá o direito de ser juiz de alguém nessa vida? Cada um é um. Cada pessoa, individualmente, sofre com seus próprios problemas, frustrações e enganos.
Para um post materno, esse assunto soa meio pesado né?? A verdade é que estou apenas divagando para chegar a uma discussão: a personalidade infantil. Desde quando podemos tratar uma criança como um ser pensante, atuante, racional? Qual é a idade certa para que ela possa  ter o direito de ter suas próprias opiniões, e pensamentos considerados por nós, a "gente grande"? 
Desde que engravidei, leio fórmulas prontas sobre como atuar com nossas crias.  Como fazer com que seu filho seja uma pessoa simpática com os outros. Como fazer para que seu bebê durma a noite inteira! Como arrumar o pratinho dele para que ele não deixe de comer um só grão de arroz. Lia e pensava, que fácil! Vou tirar de letra! Qual nada, história pra boi dormir! Hoje, mais calejada, percebo o quanto existe gente por aí que pensa que criança é tudo igual. Que o que funciona pra um, com certeeeza vai funcionar pro filho do vizinho! E se não funciona, a mãe ainda é a culpada (pobre de nóis). Ou a coitada não tem pulso firme, ou é dura demais com o filho. Ela não tem rotina nenhuma, ou então é tão controlada que a criança vai ficar louca. Essa mãe mima demais, ou é tão desapegada que um dia vão ver a Samu chegando porque encontraram a criança estatelada no chão, depois de ter subido na beliche!! Culpa da mãe, tava trocando a fralda do outro e esqueceu dessa! Nossa, fui longe agora, do que eu tava falando mesmo?? 
Ah sim, cada um é um! Eu tive o privilégio de ter um sobrinho crescendo junto com a minha filha. Acho que todo mundo por aqui já conhece o Pietro, figurinha tarimbada, outro amor do meu coração! Ele e Lucy têm dez dias de diferença e têm crescido lado a lado, porque eles dividem uma casa de vovó, na qual estão juntos quase sempre. Enfim, são praticamente como irmãos... Quando saem na rua é um tal de perguntarem se são gêmeos, e olha, vou te dizer,,,, não poderiam ser mais diferentes. Não tô falando isso fisicamente, e sim na personalidade. TUDO é o oposto um do outro. Quando um é Não, o outro é Sim. Um adoooora aquele prato de pedreiro no almoço, mas também não quer saber de comer mais nada no intervalo... a outra, despreza a comida do almoço de fazer a gente chorar, mas adora todas as outras coisas que damos durante o dia. Uma é concentrada no que está fazendo ao máximo, e o outro tem uma inteligência horizontal, quer e consegue fazer tudo ao mesmo tempo. Uma é calma, o outro é a atividade em pessoa, haja ginástica. Mas porquê isso, se os dois foram criados juntos, praticamente da mesma maneira?? O que um ganha, o outro ganha também (aqui eu me refiro aos avós), o que um tem no prato do almoço o outro tem também. O esculacho que um leva o outro leva também. A única resposta é: são diferentes! Não tem o que entender.
Acho que já escrevi um post por aqui, em que falava que sempre notei um quê de gente grande na minha filha... essa característica aparece as vezes, quando eu menos espero. Em suas respostas, nas suas atitudes. Um dia desses, o primo ganhou um carrão, desses de pedal de caminhão, que entra nele (rssss olha a descrição "que entra nele"), e a Lucy tava do lado. Mas não tinha carro de menina na loja, e a vovó falou, Lucy, o próximo a gente vai comprar pra você. Vixe, eu esperei um berreiro. Ela pegou minha mão, andou um pouco na loja e me falou: mamãe, vamos esperar no carro? Gente, isso veio de uma bebê de 2 anos e meio... pra você pode parecer normal, mas pra mim, e pode soar corujice de mãe, eu não ligo, é uma aberração! Lucy mostra claros sinais de não ser consumista! Talvez ela já perceba que mamãe é quebrada, dura, não sei, pode ser um sinal de piedade divina sobre mim, mas graças a Deus, eu posso contar em poucos dedos as vezes que ela saiu chorando de uma loja de brinquedos. Já meu sobrinho é super antenado em todas as novidades, e já decorou todas as propagandas das coisas que ele gostaria de ter. Quando entra em uma loja, vai certeiro na prateleira do que ele quer! Esperto, o menino. 

Enfim, o fato é que, a personalidade se mostra antes mesmo da linguagem se mostrar. Um bebê de meses já demonstra preferências que devem ser percebidas e respeitadas. Vejam bem, não estou dizendo que devemos agir como se nossos filhos fossem donos de seus narizes, sabemos o que é melhor pra eles e sempre, sempre agiremos neste sentido, mas precisamos adquirir a consciência de que não somos mães de sacos de batatas! E o quanto antes eles sentirem que damos importância ao seu jeito de ser, mais eles estarão abertos a se mostrar, e mais eles se sentirão livres para explorar seja lá o que for que eles têm de melhor. E o mais importante: ao começarmos a nos atentar ao seu tipo de temperamento e personalidade, poderemos começar a interagir com nosso filhote de forma individualizada, e não mais com fórmulas generalizadas. 
O escritor e pediatra Harvey Karp, autor do livro The happiest Toddler on the block (a criança mais feliz do quarteirão), diz que se bebês são anjos, crianças a partir de seus dois anos são como homens das cavernas. E que conhecer o temperamento de sua criança vai te ajudar a saber quando acarinhá-la e quando empurrá-la. Karp ainda diz: "Preste atenção e perceba a nuance de seu filho. Crianças são como flores, cada uma é diferente, mas especial. Então tanto faz se seu filho for uma papoula brincalhona ou uma violeta tímida. Ame e celebre seu filho por sua singularidade." 

Então chega de dar ouvidos aos palpiteiros de plantão (a menos que valha a pena), e comecemos a abrir nossos ouvidos para o que nossos filhos estão querendo nos passar. Podemos ter a abertura de ajudar a moldar suas pequenas personalidades. A unicidade e a coerência deles sempre nos surpreende e nos ensina. E é um enorme privilégio ver isso se desenvolver bem diante de nossos olhos! 

E você mamãe? O que tem a dizer sobre o jeitinho de seu filhote?? 

Beijão pessoal! Até a próxima!

Michelle Vargas

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Instinto

Uma rápida busca no Google nos mostra duas definições para o título desta postagem: 

instinto
substantivo masculino
  1. 1.
    impulso interior que faz um animal executar inconscientemente atos adequados às necessidades de sobrevivência própria, da sua espécie ou da sua prole.
    "i. reprodutor"
  2. 2.
    impulso natural, independente da razão, que faz o indivíduo agir com uma finalidade específica.
    "i. materno"

O falatório sobre Instinto Materno nos acompanha desde antes mesmo de tomarmos a consciência devida sobre classe familiar, sociedade ou regras morais. Talvez seja porque a proteção da mãe sempre foi nos passada como uma coisa natural... algo que não poderia não existir. Ela é a primeira voz que ouvimos, o primeiro coração que sentimos pulsar, o primeiro alimento que toca a nossa boca, e o primeiro braço a nos acalentar. Ela é a primeira pessoa a nos defender de outras crianças que queriam tomar nossos brinquedos no parquinho, e a primeira pessoa a nos fazer distinguir o certo do errado. 
Todas essas coisas, no meu pensar, são parte deste instinto. São atos genuinamente não egoístas, centrados em um segundo serzinho, e não em nós próprias. Logo a partir da concepção, começamos a nos surpreender com a força do "querer" da maternidade. Nós deixamos de ter opinião própria. Não existe mais o EU por si só. Tudo é praquela pessoinha, que nem está ali ainda, que nem tem um rosto! A verdade é que você pode ter planejado um filho por 10 anos, mas somente o dia a dia lhe mostrará que a maternidade tem 80% a ver com instinto e 20% a ver com planejamento. Se torna um processo natural, independente da razão (adorei isso) como nossa querida definição nos diz lá em cima. 
Um fato ocorrido no mês passado me deixou totalmente inquieta e com o coração queimando! Provavelmente o mundo inteiro veiculou a notícia da Mãe Chinesa que morreu em uma escada rolante de um shopping. A imagem está disponível na internet, e é bem chocante. A mãe estava subindo com seu filhinho de 2 anos, quando o alçapão do fim da escada abre e a suga para baixo. Tudo aconteceu muito rápido, mas o que chama a atenção é que, em meio a dor que aquela mulher devia estar experimentando, tendo o corpo esmagado pela engrenagem, e o choque, a única coisa que ela faz antes de desaparecer no buraco é erguer o filho para entregar a duas vendedoras que estavam no topo da escada.
NADA definiria melhor o instinto. Até em uma situação extrema como essa, a mãe se coloca em segundo em sua escala de prioridades, Entre a sua vida e a do seu filho, ele ganha. Não é racional! É reservar o último pão do armário para seu filho, e acalmá-lo dizendo: mamãe não está com fome hoje. É estar detonada no fim do dia e não resistir a um: vamos brincar de boneca comigo mamãe? É estar no banco de trás do carro com o filho e em uma freada brusca, passar a mão por ele, mesmo sabendo que você está desprotegida enquanto ele está mais seguro em sua cadeirinha. É morrer para que ele possa viver. Aaah, então por isso o tão comentado dizer: o amor de mãe é o que mais chega perto do amor de Deus!
Fazendo este texto eu parei pra pensar, não no meu amor para com a minha filha... mas no amor da minha mãe para comigo. Aos meus olhos, sempre forte, uma leoa que esmagaria qualquer um que chegasse perto de mim! E ainda assim doce, colocando nossas necessidades sempre em primeiro lugar. Ainda hoje, os três filhos crescidos, só conseguimos vê-la tranquila quando ela sabe que os três estão bem. Só se cuida, quando os outros estão cuidados. Com os netos então, é um capitulo a parte. Tudo isso multiplicado por mil! Então eu paro pra pensar... e as vontades dela? E o querer dela? Onde fica? Quem proporciona? Talvez o desapego por si mesma seja tão grande, que ao perguntarmos ela diga: o que me faz feliz e realizada são vocês e meus netos! Sei que essa seria sua resposta, certeza! E eu vou seguindo pelo mesmo caminho, orgulhosa de ser parte como ela, como minha heroína! 
Esse texto de hoje é um desabafo e uma homenagem, a minha mãe, a essa mãe chinesa, e a todas as mães de verdade anônimas que andam por aí, salvando e mudando a vida de seus filhos todos os dias. amando um amor desconhecido, arrebatador. Independente da razão!



Michelle Vargas

sábado, 24 de maio de 2014

Papel contact em móveis?? Por que não?

Sumi! E não foi por falta de assunto não, porque um zilhão de coisas me aconteceram desde a última postagem pra cá. São tantos assuntos, by the way, que quando eu pensava em sentar pra escrever, meus miolos chega entravam em parafuso, tadinhos.
Por hoje vou começar dizendo: hoje eu entendo as mamães que não trabalham batendo ponto numa empresa, e mesmo assim não têm tempo nem pra respirar. Meu Deus! Desde que me aventurei a sair do trabalho, trabalho triplicado! E a danada da disciplina e organização que nunca quis por perto e hoje sou obrigada a aprender a mantê-la? Mas não é sobre isso meu post de hoje, porque isso dá pano pra manga.
O que me fez parar um pouco hoje é que peguei uma virose, e tive que ficar de molho o dia inteiro. O ponto bom é que peguei coragem pra escrever um pouco... Mas como disse, só um pouco, porque parece que até meus dedos querem se deitar (chatice).
Quis dar uma passadinha aqui hoje só pra mostrar uma fofice que queria fazer tinha tempo, e esse mês ela saiu, em prol da minha salinha de inglês. Peguei um armarinho de cozinha mais velho e cansado que eu e fiz uma transformação nele, que tenho que dizer: Tok Stok que se cuide filha!
Dá uma olhada no acabadinho:



Daí a minha repaginada foi pensando nas cores primordiais da sala de aula, que são vermelho e azul, e o material utilizado? Que tinta que nada, vamo de papel contact, que é barato, dá pra escrever em cima e têm inúmeras opções! Sempre quis experimentar, então foi a bola da vez. Encapar o armário, é  igual encapar livro, só cansa um pouquinho mais o braço:
Dá-lhe régua e guerra pra não ficar nenhuma bolhinha. Ao contrário do que falam por aí eu não tive que lixar nada antes de aplicar o contact não, e olha que a tinta já estava bem desgastada... 
A coisa mais chata é que a gente teve que tirar todas as portas, pra não ficar nenhuma falha. (Não repara a bagunça dentro tá?)

E, por fim, voi lá! Eis o resultado final:

Gostei tanto que virei adepta do contact. Até minha lousa da sala vai ter a bichinha! Valeu gente. Vou deitar mais um pouquinho e qualquer hora volto!
Beijo beijo

Michelle Vargas



domingo, 9 de março de 2014

Cólicas: guia de sobrevivência.

Parece ter sido há um milhão de anos. Primeira noite com um serzinho novo em casa. Perplexos, deliciados e ao mesmo tempo mortos de medo, eu e Marcelo, sem saber o que fazer ou como nos portar com uma pessoinha tão pequena e frágil, precisávamos processar a idéia de que, pela primeira vez, tínhamos alguém que dependia 100% de nós, que estava totalmente sob nossa responsabilidade. A criança não consegue nem virar gente, e se ficar com dor nas costas de ficar na mesma posição a noite toda? E se sentir fome e eu não acordar? E se golfar então, e se engasgar. Qualquer coisa, desde um cisco no olho até uma perna quebrada, a culpa é nossa, a pequenininha saiu de um lugar tão aconchegante e quentinho, não sabe nem o que está fazendo nesse mundo enorme e frio, como vai se defender dos males que existem nele? Eram tantas dúvidas... Mas nada me prepararia pra o que estava por vir. 
Calma, ninguém morreu! E quem nunca passou por isso vai achar que eu sou uma idiota completa. Mas, acredite se quiser, mesmo tendo se passado um ano, as lembranças das cólicas de Lucy continuam arrepiando os pelinhos do meu braço! Desespero descreve. Ter o SEU bebê em seus braços (pq quando o neném é do vizinho a coisa é diferente), chorando a plenos pulmões, e você ali, sem ter o que fazer porque já tentou absolutamente tudo, é enlouquecedor.

Já tinham me antecipado: bebê com cólica é o Ó do borogodó, não tem nada pior. E eu pensava, minha gravidez foi tão tranquila que minha bebê vai ser a paz em pessoa. Que engano. Os três primeiros meses foram seguidos por noites e noites em claro e uma bebê nervosa durante o dia, porque não conseguia descansar bem. Por isso, mesmo depois desse tempão todo, acredito que eu fui marcada o suficiente durante esse período para tentar dar uma força para as mamães que estão passando por isso hoje. 
Na segunda semana de Lucy nesse mundinho, ela apresentou sua primeira crise. Já tinha ouvido dizer que a mãe acaba aprendendo o que quer dizer cada chorinho do bebê. Com minha pequena eu aprendi a diferenciar o choro de dor bem rápido. Como ela é muito branquinha, ficava quase roxa de tanta força que fazia pra chorar e soava como se estivessem cortando-a ao meio. Ela se espremia e endurecia a barriga. Faltava o ar. Encolhia as perninhas. Me vêm lágrimas nos olhos só de lembrar. Então acabei me tornando uma profunda conhecedora de técnicas descólicazantes, pesquisando em google, blogs, fóruns, consultórios pediátricos e etc. Mas tenho que lhe avisar, que dependendo do grau da cólica do filhote, o jeito é sentar e chorar junto, porque nada resolve. Perdi as contas de quantas vezes fiz isso. Mas de qualquer jeito, repassarei essas dicas, porque algumas vezes funciona de verdade! 
- Passe tranquilidade ao seu bebê. Isso é primordial! Não importa se por dentro você está a ponto de ir pra lua de desespero, respire fundo e se lembre que seu neném precisa de você e da sua calma como nunca. Foque todas as suas atenções nele e aproveite pra praticar duas coisas que serão rotina na sua vida a partir de agora: a renúncia e a paciência. 
2º - Faça massagens nele. Aperte as perninhas contra o abdômen, pedale como uma bicicleta, faça movimentos circulares na barriguinha. Aprenda a Shantala. Em geral, mesmo sem cólicas, eles adoram. Eu costumava passar um óleozinho que esquentava enquanto eu massageava e já um tempinho depois os puns começavam a sair e a barriga amolecia um pouco. 


- Dê um banho morno, só pra relaxar. O banho na banheira já costuma ajudar, mas o que eu, por experiência recomendo, é o Tummy Tummy. O bebê fica na posição do útero, com a barriguinha comprimida, e isso faz com que ele acalme a mente e a água morna age sobre a cólica. É um método muito legal e eficaz, enquanto as cólicas estão em um nível controlável. Dê uma olhada no Youtube, têm um moonte de vídeos ensinando como usar com recém nascidos. 

- Dê peito. Muitas vezes eles ficam tão agitados com a dor que nem conseguem sugar, mas só a sua proximidade e o calor do seu corpo com o dele já ajudam a acalmá-lo.
- Eu sou adepta aos remédios. Sei que muitas mães não gostam de dar, e respeito, até apóio. Mas tinham vezes com a Lucy que não aguentava vê-la sofrendo daquele jeito, e então fazer o quê, dá-lhe gotinhas. Já nem pensava mais no luftal, porque era caso perdido, nunca fez efeito quando ela estava no pico da dor. Meu pediatra me receitou alguns que com minha filha funcionou e não fez mal, até uns fitoterápicos, mas vou me abster de postar os nomes, porque o que não faz mal pra um pode dar um piripaque em outro né? E já basta me responsabilizar pelas dores de Lucy. Nesse caso prefiro que cada um siga o conselho de seu pediatra - remédio para bebês podem funcionar, mas SÓ com prescrição médica. 
- Agora aqui está um ato um pouco controverso, mas que é tiro e queda pra acabar com os choros (pelo menos por uns instantes). Vi no Youtube e deu certo tanto para a Lucy quanto para meu sobrinho Pietro. Basta você ligar um secador de cabelos no ambiente em que você está com o bebê (pelo amor de Deus, não o deixe perto da cria e nem em nenhum lugar que possa causar um acidente). Dizem que o som é exatamente igual ao que ele escuta dentro da barriga, e ele se acalma no segundo em que o trem é ligado. Juro por Deus mamães. Nada conseguiu desligar o choro da Lucy tão rápido e tantas vezes. Usei essa técnica muitas vezes, ela dormia com o secador ligado. O problema é, se estiver acordado, assim que o secador é desligado, o choro retorna (Ufff).
- Fiquei tão traumatizada que resolvi cortar um mooonte de alimentos da minha vida, porque muita gente diz que pode passar para o leite. Durante três meses emagreci horrores, porque não comia praticamente nada! Obs: as cólicas da Lucy continuaram a todo vapor. Então até hoje não sei dizer se isso dá resultado ou não; pra mim não funcionou. 
- Está sentindo que está à beira da loucura? Chame o papai! Chame a vovó, a titia, a amiga querida, sei lá quem, mas se permita passar a bola de vez em quando. Todas nós, mulheres paridas, sabemos que o resguardo nos deixa um pouco doidas e com pensamentos descontrolados às vezes, à beira da psicose, por isso fazemos coisas que ninguém mais entende. Lembro que, de vez em quando, eu já estava tão piripaqueada e cansada que não conseguia acalmar a Lucy. Quando meu marido pegava, dava duas balançadinhas e ela quietava. Ah, eu faltava morrer! Pensava que ela não gostava mais de mim, morriiia de ciúmes! Hoje, pensando com a mente sã, é lógico que ela nunca ia se acalmar nos meus braços se eu estava mais nervosa que a pobrezinha. Por isso, poupe seu bebê e a si mesma algumas vezes. Procure a primeira pessoa mais controlada na sua frente e tente ao máximo absorver sua insensatez! Se o neném se acalmar, erga as mãos pros céus, tome um banho fresco e tente dormir (acredite em mim, você precisa de um tempo pra você!).
9º e último - Quando tudo acima dava errado e eu via que já não era só a barriga que estava doendo, mas também a cabecinha dela de tanto chorar, eu simplesmente fechava a porta do quarto e deixava tudo escurinho, a meia luz, acalentava minha bebê, cantava baixinho e ficava lá fazendo companhia pra ela até a dor passar, ou até vê-la fechar o olhinho e dormir. 

Lembre-se disso mamãe de primeira viagem (como eu): Você é a pessoa que seu bebê mais conhece e confia quando chega de novato nesse mundo. Às vezes, ele não espera que a dor vá passar, mas fica assustado com uma situação tão ruim e nova. E quando isso acontece com a gente, tudo o que queremos e ter um ombro amigo pra chorar certo? Com ele não é diferente. O seu cheirinho não vai mandar o desconforto embora, mas vai deixá-lo seguro, ele vai saber que não está sozinho. Nesse meio tempo repita como um mantra pra si mesma que isso vai passar, como um passe de mágica em algum momento (rápido). As dores de Lucy passaram por volta de três meses e meio, e só então eu vi que toda aquela irritação era por causa das benditas (pra não dizer outra palavra) cólicas. Minha filha virou outra pessoa, e é até hoje uma das crianças mais calmas que eu conheço. 
Dizem por aí que o que não nos mata nos fortalece. E esse vínculo fortalecerá inclusive a proximidade de vocês dois. Tem coisa melhor que dar um beijinho pra dor do filho passar? Tem!! Ver no olhinho dele que ele quer você por perto, independente da dor. Seja você o conforto que ele precisa agora, porque acredite ou não, até momentos horríveis como esse podem trazer um reflexo bom no futuro. O bebê minúsculo que você carrega nos braços agora vai crescer num piscar de olhos, mas a cumplicidade de vocês vai se manter firme, forte, não importa o quanto o tempo corra.
Aguentemos firme! Porque queremos. Porque amamos. Porque tudo que importa no final das contas é ver o filhote bem ,se sentindo seguro e sabendo que ele sempre terá um um lugar tranquilo pra correr e se aconchegar: colo de mãe!
Obs: Só pra constar: os arrepios no braço ao se lembrar desse monstrinho não vai embora não viu? Não custa avisar né? 

Beijos
Michelle Vargas 




  


segunda-feira, 3 de março de 2014

BC: A semana - Hora de mudar!

Essa blogosfera é um mundo um pouco confuso. Ao mesmo tempo em que você se sente de volta à escola, no primeiro dia de aula em uma turma nova, tentando fazer novas amizades por aí, você também se sente como se estivesse no conforto de seu quarto, sozinha, escrevendo num diário. É aí que mora o perigo. De repente você se esquece MESMO que outras pessoas vão ler e saber o que está acontecendo na sua vida (entendo um pouco agora o sentimento dos bobos do Big Brother). 
Só que, quer saber? Quem tá na chuva é pra se molhar, e espero conseguir novos amigos nesse colégio, assim como abrir o meu diário (lógico que não todas as páginas, vou poupá-los de detalhes sórdidos) pra quem quiser futricar, doa a quem doer. Porque, desde pequena, achava que escrever era um lance libertador, para despejar alegrias e desapontamentos também. E daí essa semana, através da página da Mari Hart descobri um negócio tão legal, que até então não sabia que existia (novata total, não me julguem)! Pelo canto da Mamãe Polvo fui parar no canto da Fernanda Reali, e descobri que existe uma tal de Blogagem coletiva, e gostei da sua descrição: "amizades que se fortalecem entre as blogueiras". E daí vi que o assunto agora era falar sobre nossa semana! PUXA, era exatamente o que eu precisava! Colocar pra fora tudo que aconteceu nos meus últimos 7 dias, porque eles foram incríveis pra mim! Então, muito obrigada Fernanda, por me dar a chance de conhecer outras pessoas, e pontuar no meu diário essa parte do meu ano que me foi tão importante. Só que, me desculpem, pra discorrer sobre essa semana eu vou ter que fazer um resuminho dos últimos meses, prometo que vou ser breve!
Desde a véspera da volta da minha licença maternidade percebi que não servia mais pra isso. Pra mesma vida de antes, com noites viradas no trabalho (isso acontecia bastante). Tudo ficou diferente, EU fiquei diferente. Esse drama aconteceu em Maio do ano passado. Mas como toda pessoa responsável e com contas pra pagar, vambora pro batente. Com o coração na mão, na boca, em todo lugar menos no lugar certo. Porque o lugar dele era ali, do lado da minha bebê. E os meses se passaram, durante o dia trabalhando, a noite aproveitando cada pedacinho da Lucy e madrugadas em claro planejando coisas novas pra tentar ajeitar minha vida. Planejando a Kingdom, nossa Escola de Inglês que sonhamos à tanto tempo, mas nunca tivemos coragem de iniciá-la.
Foi daí que em Dezembro me veio a luz de criar um blog, e através disso me deparei com um milhão de histórias inspiradoras de mães corajosas e inteligentes que quebraram barreiras e conseguiram alcançar seus objetivos. Assim, entrei 2014 fervendo! Inconformada comigo mesma, longe da minha bebê em um trabalho que não é a paixão da minha vida (longe disso). Sonhando em crescer, conhecer e buscar coisas novas.
E o cerco foi arroxando. Em janeiro a querida amiga Rose, que ajudava minha mãe a cuidar dos bebês enquanto eu e minha irmã estávamos fora, precisou se mudar pra bem longe. Minha mãe ficou sozinha com dois nenês. E embora o dia a dia com os dois seja a razão da vida dela agora, eu a via cada vez mais cansada, estressada e várias vezes com lágrimas nos olhos sem saber se conseguiria aguentar o tranco só. Peso  total na consciência! Colocar essa pressão nos ombros da minha mãe estava me corroendo. Tempo de ser vovó é pra ser um tempo de prazer, não de cobranças. Do outro lado, vida financeira uma bagunça. Disposição pra ser namorada então?? Que tempo?
Foi quase um ano de uma briga interna extrema, com váárias vozes no meu ouvido, cada um com uma sugestão diferente do que eu deveria fazer. Sei que todas as opiniões foram de pessoas que queriam meu bem, mas eu precisava encontrar lá dentro de mim o meu ponto de equilíbrio, porque como dizia minha avó, cada um sabe aonde o seu calo aperta.
Bem, tudo explicadinho, preto no branco, chegamos nessa semana (desculpa Fernanda).

QUINTA FEIRA
Amada, se você ousa sonhar, você deve
ser corajosa o suficiente para lutar. 

Dia péssimo! Paciência curta! Dia looongo no serviço. E à noite, minha horinha com a Lucy, super cansada até para brincar. Fui preparar minha aula, e quando dei por mim, já era meia noite. Neste dia tive um sono meio conturbado. Acho que resultado de um dia muito agitado.

SEXTA FEIRA
Todos nós temos duas vidas.
A segunda começa quando você se dá conta
que você só tem uma.

Dia igualmente difícil. Mas tentei com todas as minhas forças centrar meus sentimentos e focar nas minhas idéias e planejamentos para a Kingdom. Dia de negociação com o banco, quando finalmente dei entrada para solucionar minhas pendências financeiras. Pelo menos foi um dia de resultados. Fui dormir pedindo a Deus por uma noite tranquila, pois minha mente precisava muito de um descanso. E acho que fui atendida.
Nessa noite sonhei que estava em um lugar um pouco perturbado e eu, Marcelo e Lucy resolvemos sair de lá. Fomos parar em um gramado bem verde, e ficamos encostados em um murinho. Nessa hora, quando olhei pra cima, estava passando uma enxurrada de pássaros brancos, mas eram muitos, muitos mesmo, por cima de nossa cabeça. E a Lucy, no meu colo, apontava pros pássaros, apertando as mãozinhas, dando gargalhadas como se estivesse louca pra pegar um deles! Daí eu levantei do murinho e comecei a mexer em uma árvore com ela. Então saiu uma infinidade de borboletas brancas nos rodeando, e ficamos ali no meio delas, eu e Lucy encantadas. Minha bebê pegava algumas que se dissolviam na mão dela, como se fossem feitas de tinta. Em todo esse tempo haviam dois tigres, bem do nosso lado, subindo e descendo o muro. Ao perceber isso, o Marcelo diz pra mim que já era hora de ir pra casa, era tarde. Saímos andando e vimos que um dos tigres estava nos seguindo. Decidimos que era melhor correr, mas claro, o tigre veio correndo no nosso encalço. Então paramos de correr para que ele não sentisse nosso medo. E assim ele foi nos seguindo como um gatinho até em casa. Chegando no prédio, a Lucy foi brincar nas escadas, e adivinha quem foi brincar com ela? O próprio, enorme, senhor tigre! Lulu puxava seu pelo, amassava seu nariz, subia em cima dele, e eu e Marcelo extasiados! Acordei.
Até hoje não me decidi se acredito que alguns sonhos vêm para nos passar uma mensagem, mas sei que tem uns que nos marcam. Você me perguntaria, mas o que tem a ver essa viagem desse sonho com o que você está passando? Não sei. Só sei que acordei numa paz... Só sei que enxerguei que a vida precisa de mais coisas gostosas que perturbação... Sei também que percebi que preciso ser mais corajosa e me entregar, como minha filha, como uma criança.

SÁBADO
Não existe paixão em se acomodar em uma vida
que é menos do que aquela que você tem a capacidade de viver.

Minha mãe teve um piripaque de nervoso. Fui em um chá de fralda liiindo da minha amiga Taiane. Descobri que uma outra amiga está vivendo um conto de fadas lindo e que vai casar com um americano. Essa mesma amiga me disse nesse dia que eu estava gorda, com a barriga grande, até pensou que eu estava esperando outro bebê :O. Ela é minha amiga de verdade gente, não é amiga da onça, é que essas coisas escapam (te amu Line). Só que essa foi minha gota d'água do dia, pq eu notei que é a primeira vez na vida que eu cultivei um papo.

DOMINGO
Sempre voe alto. Você pode ser pisada, arrasada e até sair com o coração quebrado,
Mas pelo menos você poderá se olhar no espelho todos os dias e dizer: 
Eu fiz a coisa certa, e não vou me odiar por isso. 

Eu e Marcelo sentamos, planejamos e decidimos que era chegada a hora da verdade. A Lucy precisava da mãe por perto, e eu, à beira de um colapso, precisava me arriscar pra procurar SER, não só ESTAR feliz. Marcelo disse, às vezes a gente precisa só de um passo de fé Mi, pras coisas começarem a acontecer. Mais tarde um amigão nosso que nunca mais tínhamos visto escreveu dizendo que queria bater um papo com a gente, estava com saudades. Marcamos pra Terça.

SEGUNDA
Se fugirmos do risco para nos manter a salvo,
desperdiçaremos nossa vida. 

PEDI MINHAS CONTAS. Achei que ia sentir medo do futuro depois, mas não senti. Tirei um peso dos meus ombros, fiquei aliviada. Mais tarde cheguei na Blogagem coletiva e descobri o blog da Cristin, que traduziu exatamente o que eu estava sentindo naquela hora, dá uma olhada lá!

TERÇA
Quando Deus vê você fazendo sua parte, desenvolvendo o que Ele te deu,
então Ele fará a parte dele e abrirá portas que nenhum homem poderá fechar. 

Lembra do amigo de Domingo? Nos encontramos e contei pra ele que estava cumprindo meu aviso na empresa, que ia entrar de cabeça na Kingdom, e sabe o que aconteceu? Ele nos ofereceu uma sala pras aulas enquanto não alugamos nosso espaço, em um galpão imenso com muitas salas. O foco da Kingdom é atender o aluno no ambiente dele mas uma sala de aula é muuuito necessária! Como disse maridão, bastava mesmo o primeiro passo, mas nunca pensei que viria um resposta tão, tão rápido! 


QUARTA
A melhor sensação do mundo é saber que você finalmente tomou um passo na direção certa. 
Um passo rumo ao futuro aonde tudo que você nunca pensou que fosse possível, é possivel.


Minha amiga Desireé, sem saber que eu havia pedido demissão, me escreveu dizendo que queria materiais da Kingdom para divulgar na empresa dela, inclusive no site interno. Mais tarde no mesmo dia ganhei duas novas alunas. A noite, com a cabeça mais leve (incrível né) levei Lucy para as bolinhas do shopping, aonde eu e ela brincamos atééé eu sair de lá com torcicolo (velha nada, me respeita).

QUINTA
Maternidade não é um Hobby, é um chamado. 
Não é algo para realizar se você conseguir apertar o seu tempo. 
É algo que DEUS te deu tempo para realizar.

Arrumei o material de divulgação das aulas e levei para a gráfica. Coloquei Lucy para dormir, tomei banho, comi e agora é meia noite. Amanhã (ou hoje) tenho que acordar novamente às 07:00 da manhã para bater meu ponto. Mas algo mudou. Daqui 27 dias mudarei meu status de "oreia" para "mãe empreendedora". Chique né? Sei não, tô pensando que vou trabalhar triplicadamente! Só que do lado da minha filha agora. Agora é, não esperar, mas correr atrás pra ver o que acontece.

Gente eu sei que não contei minha semana partindo de sábado (dôr) mas esses dias precisavam ser relatados. Prometo que será a única vez, minhas próximas postagens no BC seguirão a ordem certinha.
E termino com uma citação de Cora Coralina (adoro):

Pelo menos esse passo já foi dado! 
Beijão pessoal, até a próxima. 

Michelle Vargas